NOÇOES DA HISTÓRIA E FILOSOFIA DO JUDÔ
O judô teve sua origem quando o Professor Jigoro Kano procurou sistematizar técnicas de uma arte marcial japonesa, conhecida como “Jujitsu” e fundamentar sua pratica em princípios filosóficos bem definidos, afim de torna-la um meio eficaz para o aprimoramento do físico, do intelecto e do caráter, num processo de aperfeiçoamento do ser humano.
Porque chamar de judô ao invés de Jujitsu como já era conhecida a arte marcial?
Durante o período medieval japonês, as artes marciais tiveram grande importância por seu uso militarista, apresentando evidente progresso técnico, utilizando-se de armas como sabres, lanças e outros instrumentos, bem como métodos de combates com as mãos nuas. Ao mesmo tempo em que aprimorava o físico para adquirir destreza na arte marcial, o “samurai” desenvolvia formas de dominar seus próprios impulsos e controlar sua vontade, em alto grau, para poder enfrentar as adversidades corajosamente “ate a morte”. Essa filosofia de vida era alma das artes marciais e entendiam os samurais, que ela só poderia ser atingida através de árduo treinamento para desenvolver o espírito de luta.
Como uma das formas de arte marcial surgiu o Jujitsu, não tendo porem registros precisos de sua origem. Algumas citações encontradas numa crônica criticam do Japão, fazem referencia ao inicio de Sumo que teria alguma relação com o jujitsu naqueles tempos. Houve, então, uma evolução desses dois tipos de lutas corporais, em que o Sumo estabeleceu-se à base do uso de força e do peso, sendo orientado no sentido de espetáculo e o Jujitsu na base de habilidade, da astúcia e da ética, foi consagrado como combate real.
A pratica do Jujitsu levou a criação de inúmeras escolas, cujas características eram a especialização dos professores em determinadas técnicas, adotando estilos próprios e secretos, cujos princípios de ensinamentos se apoiavam no conhecido axioma empregados pelos samurais “Na suavidade esta a força”. Dentre estas escolas, duas delas foram estudadas pelo Professor Jigoro Kano.
Jigoro Kano, um jovem de físico franzino, graduado em filosofia pela Universidade Imperial de Tóquio, tendo conhecimento do Jujitsu, observou que suas técnicas poderiam ter valor educativo na preparação dos jovens, no sentido de oferecer ao individuo oportunidade de aprimoramento do seu autodomínio para superar a própria limitação. Assim, passou a ter como meta transformar, aquela arte marcial num esporte que pudesse trazer benefícios para o homem, ao invés de utilizá-la como arma de defesa pessoal simplesmente.
Aprofundou seus estudos, pesquisando e analisando as técnicas conhecidas; o Professor Kano organizou-as de forma a constituir um sistema adequado aos métodos educacionais, como uma disciplina de Educação Física, evitando as ações que pudessem ser lesivas ou prejudiciais à sua pratica por qualquer leigo. Com esse intuito, em 1882 fundou sua própria escola e, para distinguir, de maneira evidente, das formas que identificavam o antigo Jujitsu, denominou de JUDO KODOKAN, destinada a formação e preparação integral do homem através das atividades físicas de luta corporal e do aperfeiçoamento moral, sustentado pelos princípios filosóficos e exaltação do caráter que era a essência do espírito marcial dos samurais.
Jigoro Kano transformou a arte marcial do antigo jujitsu no “caminho da suavidade” em que através do treinamento dos métodos de ataque e defesa podem-se adquirir qualidades mais favoráveis a vida do homem, sob três aspectos:
· Condicionamento físico
· Espírito de luta
· Atitude moral autentica
O Judô pode ser resumido como elevação de uma simples técnica a um principio de viver. Esse principio, mesmo não sendo conscientemente esclarecidos e compreendidos, estão presentes em todos os atos do praticante de Judô. Por outro lado, quando o praticante, tiver fixado e tomar consciência dos princípios que norteiam o judô, pode-se verificar que não são restritos ao Dojô, mas são igualmente validos em qualquer atividade da vida diária, quando se pretende atingir um determinado objetivo.
O DOJÔ
O Judô deve ser praticado num local especialmente projetado, conhecido como Dojo. Área de pratica deve ser destituída de quinas cortantes e obstruções potencialmente perigosas, tais como pilares, e ter as paredes geralmente forradas com materiais macios. O piso do local deve ser revestido com tatames.
Quando alguém visita um Dojo, pela primeira vez, deve-se faze-lo admirar com a manutenção da limpeza e impressionar com atmosfera solene, então fica extremamente proibida a entrada de pessoas calçadas no Dojo
Devemos lembrar que a palavra Dojo deriva de um termo Budista, que se refere a Lugar Iluminado. Tal como um mosteiro, o Dojo é um lugar sagrado onde as pessoas vão aperfeiçoar o corpo e a mente.
ETIQUETA NO DOJÔ
Antes e após praticar o Judô ou engajarem-se num combate, os oponentes se reverenciam entre si. A saudação é uma expressão de gratidão e respeito. De fato, pode-se agradecer seu oponente por lhe dar oportunidade de melhorar sua técnica.
O dojo não é lugar de conversa leviana ou comportamento frívolo. Os praticantes podem não estar participando da pratica ou de um combate, mas, enquanto descansam, eles devem observar as outras praticas, pois fazendo aprendem alguma coisa. Comer, beber, fumar não é tolerado no Dojo, pois os praticantes são compelidos a mante-lo asseado e limpo.
A higiene pessoal, também, é importante. Os praticantes devem estar limpos e manter suas unhas das mãos e dos pés aparadas para evitar que provoque ferimentos aos outros. O Judogui deve ser lavado regularmente e qualquer rasura remendar imediatamente.
É extremamente proibido a pratica do Judô com quaisquer tipo de anéis, pulseiras, colares e brincos.
O JUDOGUÍ
O conjunto de calça jaqueta e faixa na pratica do Judô é chamado de Judogui. A jaqueta e a calça são usadas nas cores branca e azul para diferenciar os atletas na pontuação de uma competição, e a faixa varia de cor conforme a graduação do usuário.
Iniciantes usam faixa branca. Quando atingir a graduação de Kyu usam faixas coloridas, sendo o mais avançado nessa classe o primeiro Kyu, que usa a faixa marrom. Aqueles que são graduados de primeiro a quinto Dan usam faixa preta. A partir do sexto Dan a faixa é do tipo coral, com bandas brancas e vermelhas alternadas. Nono e décimo Dan usam faixa vermelha. As faixas para as mulheres têm uma lista branca na porção mediana da faixa no sentido longitudinal.
UMA PALAVRA DE PRUDÊNCIA
Nos estágios iniciais de treinamento de Judô, os praticantes especialmente os jovens, algumas vezes sentem-se provocados a experimentar técnicas aprendidas recentemente em pessoas que não estão preparadas. Tal comportamento é irresponsável e altamente perigoso. Nunca devemos abusar das técnicas de Judô, porque podem resultar em lesões serias ou mesmo levar a morte. Não é necessário dizer que isso vai contra o espírito do Judô. A única justificativa que se tem para praticar as técnicas de Judô fora do Dojo é quando ocorre perigo físico imediato.
PARA PRATICAR O JUDÔ DEVEMOS OBEDECER PRINCIPALMENTE AS SEGUINTES REGRAS
- Respeitar os superiores e os colegas.
- Cumprimentar corretamente ao entrar e sair do Dojo
- Manter silencio no Dojo.
- Ajoelhar em ordem, quando da chegada do professor.
- Estar atento as instruções do professor.
- Sentar-se corretamente no Tatami.
- Sair durante as aulas em caso de extrema necessidade, com a devida permissão do professor.
- Conservar o Dojo sempre limpo e em ordem.
- Não treinar em outras academias sem a permissão do professor.
TREINAMENTO ÉTICO
Há pessoas que são facilmente excitáveis a se tornarem agressivas pelas mais triviais das razões. O judô pode levar essas pessoas aprenderem a se controlar, através do treinamento e, rapidamente, elas entendem que a agressividade é um desperdício de energia que causa efeitos negativos em si próprios e nos outros.
O treinamento de Judô é, também, extremamente benéfico para aqueles com ausência de confiança em si próprio, devido as falhas do passado. O Judô nos ensinam a escolher o melhor curso possível da ação, qualquer que sejam as circunstancias individuais e ajuda-nos compreender que a ansiedade é uma perda de energia.
Outro tipo que podem beneficiar da pratica do Judô são os cronicamente descontentes que prontamente, culpam outras pessoas por aquilo que é realmente devido a sua própria falha. Essas pessoas devem entender que a constituição negativa de sua mente vai contra o principio da máxima eficiência e que viver em conformidade com esse principio é a chave para atingir um estado mental de visão avançada.
ESTÉTICA
A pratica do Judô traz muitas satisfações: o prazer de sentir o exercício conduzido aos músculos e nervos, a satisfação de dominar os movimentos e a alegria de vencer sua competição. Não menos que isso, tem-se a beleza e o encanto de executar técnicas elegantes e a opção de obter outras performances significativas. Essa é a essência do lado estético do Judô.
JUDÔ ALEM DO DOJO
No Judô temos como analise racional, a concentração e que as lições apreendidas nos confrontos encontrarão aplicação não somente nos treinamentos futuros mas, também, para compreensão do mundo, em sentido amplo.
O Judô é uma disciplina física e mental cujas lições são, prontamente, aplicáveis às condutas dos nossos compromissos diários. O principio fundamental do Judô é aquele que governa todas as técnicas de ataque e defesa e, qualquer que seja o objetivo, poderá ser atingido com melhor resultado pelo uso da máxima eficiência do corpo e da mente para aqueles propósitos. Esse mesmo principio aplicado as nossas atividades cotidianas leva a uma vida racional mais elevada.
O principio da máxima eficiência, ao ser aplicado na arte de ataque e defesa ou para aprimorar e aperfeiçoar a vida, acima de tudo, demanda ordem e harmonia entre as pessoas, isso só se consegue através do auxilio e da concessão mútua, tendo como resultado o mútuo bem-estar e benefícios comuns.
O propósito final da pratica de Judô é para introduzir o respeito aos princípios da máxima eficiência e do bem-estar e benefícios mútuos. Através do Judô as pessoas podem, individualmente ou coletivamente, atingir seu mais elevado estado espiritual e, ao mesmo tempo, desenvolver fisicamente seus corpos e aprender a arte de ataque e defesa.





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